Magnien, O abecedário de Michel de Montaigne, "A Cavalo"
À Cheval
"Mon âme me déplaît de ce qu’elle produit ordinairement ses plus profondes rêveries, plus folles et qui me plaisent le mieux, à l’improviste et lorsque je les recherche le moins ; lesquelles s’évanouissent soudain, n’ayant sur le champ où les attacher : à cheval, à la table, au lit. Mais plus à cheval, où sont mes plus larges entretiens. J’ai le parler un peu délicatement jaloux d’attention et de silence si je parle d’abondance. Qui m’interrompt, m’arrête. En voyage, la difficulté même des chemins coupe les propos; ajoutons que je voyage plus souvent sans compagnie, propre à ces entretiens suivis: par là je prends tout loisir de m’entretenir moi-même."
A Cavalo
"Mas minha alma me desagrada, porque costuma produzir seus devaneios mais profundos, mais loucos, e que mais me aprazem, de improviso e quando menos os procuro; e que se desvanecem prontamente, não tendo eu naquele, momento onde fixá-los: a cavalo, à mesa, no leito, porém mais a cavalo, onde acontecem minhas conversas mais longas. Tenho a palavra um pouco melindrosamente ciumenta de atenção e de silêncio, se estiver falando com empenho; quem me interromper me detém. Em viagem, mesmo a dificuldade dos caminhos corta os assuntos; além do mais, quase sempre, viajo sem companhia apropriada para essas conversas alentadas, pelo que tenho toda liberdade para conversar comigo mesmo."
(III, 5, Sobre os versos de Virgílio, p. 137)
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