Magnien, O abecedário de Michel de Montaigne, "Bigodes"

Moustaches

"Quelque odeur que ce soit, c’est merveille combien elle s’attache à moi et combien j’ai la peau propre à s’en abreuver. Celui qui se plaint que la Nature ait laissé l’homme sans instrument propre à porter les senteurs au nez, a tort; car elles se portent elles-mêmes. Mais à moi particulièrement, les moustaches, que j’ai pleines, m’en servent. Si j’en approche mes gants ou mon mouchoir, l’odeur y tiendra tout le jour. Elles accusent le lieu d’où je viens. Les étroits baisers de la jeunesse, savoureux, gloutons et gluants, s’y collaient autrefois, et s’y maintenaient plusieurs heures après."

Bigodes

"Seja qual for o odor, é espantoso como ele adere em mim, e como tenho a pele própria para absorvê-lo. Quem reclama da natureza porque deixou o homem sem instrumento para levar os cheiros ao nariz está errado, pois eles se levam por si mesmos. Mas a mim particularmente me servem nisso os bigodes, que tenho espessos. Se aproximo deles minhas luvas ou meu lenço, o odor conserva-se um dia inteiro. Eles delatam o lugar de onde venho. Os beijos profundos da juventude, saborosos, gulosos e grudentos, colavam-se neles outrora e ali perduravam muitas horas depois."

(I, 55, Dos Cheiros, p. 470)

Comentários

Postagens mais visitadas